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18/03/10


TEXTO 1:
A MÃE E O CONTO DE FADAS

"Sabe, tenho uma dúvida que sempre me vem com os contos de fadas...cadê a mãe? Alguém sabe o porquê de matarem ou simplesmente ausentarem as mamães nas histórias infantis?”

O conto de fadas é anterior à sociedade como nós a entendemos. Ele fala de situações da antiguidade, da idade média e de seres fantásticos e mágicos. Então que importância têm os contos de fadas para crianças, porque sujeitarmos nossos pequenos a monstros assustadores, seres malignos e situações dolorosas ?

A tendência dos pais é proteger os filhos. A expressão "redoma de vidro" é um chavão de denecessária explicação mas de muita aplicação nesse caso.Na ânsia de proteção impedimos os filhos de participar dos rituais que fazem parte da vida, como a morte.Poupando as crianças da realidade, impedimos que lidem com seus conflitos e se preparem para suas próprias dores.

Nos contos de fadas as crianças encontram os elementos necessários para lidar com os conflitos que as acometem todos os dias.Com a vantagem do final feliz.Os contos de fadas dizem que, não importa seu problema, você pode resolvê-lo.Outra coisa boa do conto de fada é que legitima seus sentimentos.Se a criança tem raiva de alguém pode transformá-la numa bruxa malvada ou num gigante.

E aí é que entra a falta da mãe. A maior parte dos conflitos das crianças pequenas é com a mãe. Seja porque ela acha que a mãe gosta mais dos irmãos que dela, seja porque ela deseja a mãe e vê no pai um rival, seja porque ela tem raiva da mãe que não a deixa fazer determinada coisa. (Patrulheiros de plantão, na ótica da criança, viu?)

Esses sentimentos conflitantes de amor e ódio, como resolvê-los?

Através da fantasia dos contos de fadas.Se a mãe está morta, podemos odiar a madrasta, cuidar do pai, ser redimida pela mãe-fada boa. O conto de fadas, como é fantástico, abre inúmeras possibilidades de fantasia com a realidade que se configura insuportável à criança sem que ela possa discutí-la com um adulto. Pense como ficaríamos chocados com uma criança que dissesse "Eu odeio minha mãe". Sem falar no choque da própria criança em admitir isso. No entanto, odiando a madrasta ela pode resolver seu conflito sabendo que a outra parte da mãe, a fada, virá salvá-la e tudo terá um final feliz.


TEXTO 2:
O CONTO DE FADAS E A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE

Os contos asseguram à criança que, por mais que ela possa ter problemas (notas baixas na escola, ser desajeitado no jogo de futebol, perder um grande amigo, enfrentar o divórcio dos pais, etc.) será capaz de atravessar a “floresta escura” e superá-los, como o herói dos contos. Diz-nos Amarilha:

“Pelo processo de ‘viver’ temporariamente as conflitos, angústias e alegrias dos personagens da história, o receptor multiplica as suas próprias alternativas de experiências do mundo, sem que com isso corra risco algum.” (AMARILHA, 1997, p. 19)

Por isso, as adaptações moralizantes dos contos ou o temor do adulto em contar certos trechos quando os está lendo em voz alta para crianças, tornam os texto sem significado para elas:

“Se o adulto não tiver condições emocionais para contar a história inteira, com todos os seus elementos, suas facetas de crueldade, de angústia (que fazem parte da vida, senão não fariam parte do repertório popular...), então é melhor dar outro livro para a criança ler... Ou esperar o momento em que ela queira ou necessite dele e que o adulto esteja preparado para contá-lo... De qualquer maneira, ou se respeita a integridade, a inteireza, a totalidade da narrativa, ou se muda a história... (e isso vale, aliás, como conduta para qualquer obra literária, produzida em qualquer época, por qualquer autor... Mutilar a obra alheia, acho que é um dos poucos pecados indesculpáveis...).”(ABRAMOVICH, 1990, p.121)

Porém, da mesma forma como não cabe ao adulto que conta a história modificá-la, retirando os detalhes que lhe parecem violentos ou aterrorizantes, também não lhe cabe interpretar diretamente a história para a criança:

“Explicar para uma criança porque um conto de fadas é tão cativante para ela destrói, acima de tudo, o encantamento da história, que depende, em grau considerável, da criança não saber absolutamente porque está maravilhada. E ao lado do confisco desse poder de encantar vai também uma perda do potencial da história em ajudar a criança a lutar por si só e dominar exclusivamente por si só o problema que fez a história significativa para ela. As interpretações adultas, por mais corretas que sejam, roubam da criança a oportunidade de sentir que ela, por sua própria conta, através de repetidas audições e de ruminar acerca da história, enfrentou com êxito uma situação difícil.” (BETTELHEIM, 1980, p. 27)

Não cabe a pais e professores interpretar, ou exigir da criança uma interpretação direta da história, através de “fichas literárias” ou coisas do gênero, da moral do conto ouvido (como pretendeu Perrault ao escrever a suposta mensagem final ao cabo do texto). Mas cabe-lhes instrumentalizar o pensamento e a fantasia da criança sobre o conto, sugerindo-lhe que desenhe livremente sobre a história, reconte-na a seu próprio modo, deixando-a brincar de faz de conta com fantasias, bonecos, maquiagem etc. e, sobretudo, contando outra vez a história, quantas e quantas vezes ela pedir, de novo, desde o começo e com todos os detalhes e vírgulas... Isso porque, ao ouvir de novo o conto, a criança está empenhada em uma das mais importantes tarefas, segundo a psicanálise, para a construção de sua personalidade. Tarefa essa que somente ela mesma, e nenhum agente externo, pode fazer.

REFERÊNCIAS
 
ABRAMOVICH Fanny,. Literatura Infantil: Gostosuras e bobices. São Paulo. Scipione. 1990.
AMARILHA, Marly. Estão mortas as fadas? Literatura Infantil e práticas pedagógicas. Rio de Janeiro, Vozes, 1997.
BETTELHEIM, Bruno, A psicanálise dos contos de fadas. 14 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
PSICOPEDAGOGIA ON LINE.
http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=42
SANTOS, Eliene. A superação dos conflitos dos contos de fadas, constitui um elemento grandioso para aformação do adulto. Disponivel em: http://www.webartigos.com/articles/12549/1/Os-Contos-de-Fadas-Como-Aliados/pagina1.html   

INDICAÇÃO DE LEITURA

Em 'A psicanálise dos contos de fadas' , Bruno Bettelheim faz uma radiografia das mais famosas histórias para crianças, arrancando-lhes o seu verdadeiro significado. Os contos de fadas considerados pelos pais e educadores até pouco tempo como 'irreais', 'falsos' e cheios de crueldade, são, para as crianças, o que há de mais real, algo que lhes fala, em linguagem acessível, do que é real dentro delas. 'A psicanálise dos contos de fadas' mostra as razões, as motivações psicológicas, os significados emocionais, a função de divertimento, a linguagem simbólica do inconsciente que estão subjacentes nos contos infantis.

Fonte: Livraria Cultura

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